domingo, 17 de agosto de 2008

Save Miguel

Toda a explicação aqui: www.savemiguel.com

Costas largas


Ninguém consegue parar o jovem Phels. 8 medalhas de ouro é, sem dúvida, um feito. Isto lembra-me aquela altura em que ganhei uma medalha (de um metal de origem um pouco duvidosa) numa competição de natação na velhinha piscina de Celas. Se bem me lembro, cheguei em primeiro lugar na modalidade de 200 m crawl. A medalha também tinha uns anéis desenhados (certamente não os anéis Olímpicos) e a imagem de uma foca com uma bola equilibrada na ponta do nariz. Os meus pais sentiram-se deveras orgulhosos de mim nesse dia. Isto faz-me meditar acerca do meu eventual brilhante futuro na natação se entretanto não tivesse parado de praticar para me dedicar ao judo e, mais tarde, às modalidades cujo nome é precedido pela palavra Body (os chamados Body Coisos). Acho que me tornei preguiçosa com a idade. Sim, o cabelo cheirava permanentemente a cloro e havia um bicho papão que comia criancinhas ao pequeno-almoço e do qual todos tinham medo chamado pé-de-atleta (hoje em dia, com os meus conhecimentos científicos, já sei que se trata de um fungo, um dermatófito que coloniza a epiderme e que deixa o pézinho com aquele mau aspecto). Mas nunca saberei que outras alegrias a nataçao me poderia ter dado para além de ter ficado com as costas largas. Literalmente.

Mesmo com força de vontade


Na minha recente viagem ao interior do país, não pude deixar de reparar num denominador comum a todas as pequenas vilas e aldeias que ficam a meio caminho entre cidades: primeiro que tudo, o facto de ser raro detectar um mísero papel atirado ao chão. É inspirador ver que as próprias câmaras municipais e juntas de freguesia incentivam a população local a cuidar das suas ruas e passeios, e a mantê-los limpos. Existe uma bem elaborada e bem conseguida abordagem educacional junto das pessoas, e o resultado salta a olhos vistos. Além disso, existem ecopontos praticamente em todas as esquinas, limpos e devidamente organizados. Não há, de facto, desculpa para atirar o papel para o chão ou para deixar a garrafa de plástico em cima de um muro. Um exemplo que deveria ser tido em conta por muito boa gente, e refiro-me, em particular, aos responsáveis camarários pelo assunto na minha cidade. Perto de minha casa existe um ecoponto, sim. Mas poucas vezes é esvaziado, os sacos amontoam-se no passeio em frente, obrigando os peões a se desviarem para a estrada, o cheiro nem sempre é o mais agradável, e sinceramente ... mesmo quando o esvaziam, o local tem um aspecto muito sujo, quando se pretende exactamento o contrário. E esta é uma situação visível em muitos outros pontos da cidade, especialmente nas áreas mais periféricas. Desta forma, mesmo que a força de vontade ajude, torna-se uma tarefa bem mais penosa reciclar o lixo e contribuir para o bem-estar da nossa comunidade.

Leituras




A maior vantagem dos dias de Verão : o prazer de colocar a leitura em dia. Os livros que vou comprando por impulso, ao longo do ano, nas minhas incursões pelas livrarias da cidade, e que se amontoam na prateleira, rotulados com uma etiqueta "num futuro próximo". Vivemos depressa, nos nossos dias. Como disse o grande poeta Eugénio de Andrade,


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"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos.
Como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos."


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Perco, por vezes, a noção de que as pequenas coisas são fonte de uma enorme satisfação. Há que SABER ver, há que APRENDER a ver, de olhos abertos ou fechados. É por isso que me agradou bastante o "Ensaio sobre a cegueira" de Saramago, um dos tais livros empilhados hà já algum tempo na prateleira, e que acabei esta noite de ler.


A propósito de leituras, o DN oferece, com o jornal, uma colecção de pequenas pérolas da literatura, livros de pequeno formato da autoria de inúmeros magníficos escritores como Dostoiévski, Kafka, Henry James, Edgar Allan Poe ou Rainer Maria Rilke . A não perder, saem com o jornal às segundas, quartas, sextas, sábados, e domingos. E não se paga mais por isso. Imperdível ...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Back 2 work


O Cotão está a trabalhar com bom andamento.
E no próximo sábado promete sair da toca ...

Aino Kannisto


Nas suas deambulações pelo CCB, ao apreciar a colecção Berardo, o Cotão viu muitas fotografias (o Cotão tem um fraquinho pela fotografia) e deteve-se bastante tempo diante desta. O Cotão não consegue bem exprimir o que o fascina tanto, mas assim que teve disponibilidade para tal, foi à procura da obra da artista, de seu nome Aino Kannisto. E ficou ... encantado ... Uma simples busca na net pelo seu nome desvenda de imediato várias fotografias belíssimas da sua autoria. O Cotão continua a olhar para a fotografia e a tentar desvendar o que nela o fascina tanto ...

Road Trip



O Cotão já regressou de mais uma incursão por terras de Portugal. As ideias vieram arejadas, sem dúvida, mas o corpo, esse, acho que voltou ainda cansado. É que palmilhar caminhos em busca de pequenos tesouros escondidos dá trabalho ... trabalho de pernas e jogo de cintura. O Cotão divertiu-se, tirou fotografias, apanhou sol, bebeu refrigerantes e dormiu uma média de 8 horas por dia, algo que não acontecia à já muito tempo. O Cotão não quer deixar de demonstrar o seu profundo agradecimento às pessoas bonitas, amáveis e bem-dispostas que se cruzaram no seu caminho. Àquelas que tinham sempre um sorriso pronto e que, à sua custa, acabavam por nos arrancar sorrisos também a nós. O Cotão quer ainda agradecer:

ao sol de 40 graus à sombra e às noites abusivamente quentes do interior do país, às pousadas da juventude (que além de um serviço muito eficiente e óptimas condições, têm sempre pessoas simpáticas nos balcões de atendimento), aos cumes das serras pelo pôr-do-sol do fim de tarde, às águas frize (que me mataram tantas vezes a sede), à vida nocturna de Castelo Branco, às senhoras idosas que fazem marafonas em Idanha-a-Nova, às estradas de terra batida que me fizeram engolir tanto pó, ao Rio Tejo (e às suas difíceis acessibilidades), aos croks (horrorosos mas certamente muito confortáveis), às aldeias nascidas da pedra, a Espanha (ainda mais inóspita do que Portugal mas com gasolina mais barata e estradas decentes), às conversas pela noite adentro, ao primeiro e último cigarro depois de um ano e meio, aos colchões duros como pedra, ao trânsito à entrada da capital, à falta de hidratos de carbono, aos pastéis de Belém, aos cafés tomados depois de meia-noite, aos museus de Lisboa, a Le Corbusier (apesar da pressa), às minhas velhinhas All Star verdes que foram definitivamente remetidas para a reforma e às estradas secundárias deste país (não se pagam e nunca se sabe que surpresas nos aguardam ao virar da próxima rotunda).