sábado, 30 de agosto de 2008

Basta ya de minimal !

É do conhecimento daqueles que me são mais próximos a minha profunda antipatia para com o tecno minimal. Esgotada a fórmula (demorou mais tempo que o desejado), parece que os próprios agentes criadores do género musical já se começam a aperceber que o tecno minimal ... é muito aborrecido. De minimal eu só aprecio mesmo a arte. E verdade seja dita, não é por isso que decorava uma divisão inteira só com um vaso em cima de um tapete. Ora o senhor Mathias Aguayo cansou-se finalmente do minimal. Pelo menos é o que ele diz. Ele há muita gente que devia ouvir mais esta música, especialmente a letra. Pronto, pronto ... é verdade que eu sou muito tolerante e respeito todos os gostos, que, já nos diz a tradição, não se discutem. Mas eu vou sempre recordar o que uma amiga minha disse quando foi introduzida pela primeira vez no monótono mundo do minimal: "Então mas isto é só pum pum pum pum e não muda?" Já dizem os ingleses: Ignorance is bliss. E quem está de fora, vê (neste caso ouve) sempre as coisas com maior descernimento. Eu congratulo o senhor Mathias Aguayo por ter passado para o lado da luz. Nunca é tarde demais.

Mathias Aguayo : Minimal (Koze mix)

Cause that music got no groove, got no balls, no
me hace pumpin’ pumpin' pumpin' por que yo quiero bailar con un ritmo mas nocturno mas profundo mas sensual basta ya de minimal !
que es lo que bailo otras movidas vas pa delante your gonna get
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Music to make me smile

Nos dias nem por isso o Cotão tenta ouvir música que lhe arranque sorrisos. A si e aos outros. Nina Simone é sempre um refúgio que dispensa justificações.
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Nina Simone : My baby just cares for me

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Nem por isso


Arrumadas as ideias na prateleira, penso que hoje não é um bom dia. Há dias bons, outros nem por isso. Procuro a razão de o ser, em vão. Existe um motivo específico para hoje ser um mau dia? Dizer mau será, porventura, dar um pontapé na sorte. Mau não! É um dia nem por isso. Nos dias nem por isso regozijam-se os livros do isolamento, como eu chamo aos livros de poesia, já que tenho o péssimo hábito de apenas a eles recorrer nos dias mais sós. E à minha volta fervilham rostos, mãos, risos e palavras circunstanciais. Eu sempre me sinto mais isolada no meio de muita gente. Dizem-me, desde pequena, que é tudo um problema de mau feitio. Eu digo que neste mundo imenso, só o Nuno Júdice tem a capacidade de me compreender.

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No meio das palavras, um olhar. Não
por acaso, nem de propósito. O olhar que
resumiu todas as frases e todos
os silêncios. O olhar que as mãos escreveram
uma na outra, quando passaram
por entre gramáticas e dicionários,
e encontraram a única e última
palavra, onde começa e acaba
o amor.

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Nadir

Nuno Júdice

sábado, 23 de agosto de 2008

Cabeça no ar

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"Onde é que andas com a cabeça?"
Já é considerável o número de vezes que mo perguntam ultimamente.
No ar, certamente. Ou ando com a cabeça no ar ou ando com a cabeça feita de ar. Infelizmente não é razão para a sentir mais leve. Pelo contrário, cada vez me pesa mais. E lá vem sempre a mesma lenga-lenga : "Só não a perdes pelo caminho porque a trazes agarrada ao pescoço".
Não refuto. Existe um fundamento verídico na jocosa afirmação.
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cotton and the chocolate bar

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Por vezes tudo o que uma mulher precisa é de uma boa barra de chocolate.

Nos dias que acordam virados do avesso, não há nada que garanta maior grau de satisfação.

Mesmo nada ...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Os pequenos Budas



Tendo há poucas horas acabado de ler um punhado de interessantes artigos acerca da problemática da obesidade infantil nos nossos dias e nos países industrializados, devo admitir que fiquei, de certa forma, alarmada. O que não deixa de ser um facto a admirar, quando todos estamos habituados a ficar alarmados com o que acontece aos respectivos umbigos ( “Se a casa do vizinho for assaltada, bem ... antes a dele que a minha”). É um facto inegável que as nossas crianças estão cada vez mais gordas. Que comem cada vez pior, que recorrem cada vez mais à comida de plástico, que consomem cada vez mais acúcares e gorduras saturadas, e que a própria ingestão calórica tem vindo a aumentar. Em Portugal estima-se que o número de crianças na chamada primeira infância com excesso de peso ronde os 31,5%, e que o número de crianças obesas atinja já os 10%. Ora, isto é, deveras, preocupante, porque para que uma criança seja considerada obesa, ou seja, para que o seu Índice de massa corporal exceda os 30Kg/m2, ela tem que ser, de facto, uma bolinha ambulante. A ideia que eu sempre tive é a de estar perante um fenómeno particularmente incidente nos meios rurais, onde há, de um modo geral, uma preocupação menos acentuada em relação aos hábitos alimentares e ao exercício físico, mas cada vez mais essa ideia tem vindo a perder força. Basta estabelecer contacto com os dois lados da questão. Por um lado, cada vez existem mais crianças gordas nos meios urbanos. O Ministério da Educação bem estabeleceu um controlo mais rigoroso do tipo de produtos que se encontram à disposição nas máquinas de vendas automáticas das escolas, mas isso de pouco adianta quando, nos bares das próprias escolas, se continuam a vender bolos recheados com cremes e bolicaos. Além disso, à porta das escolas existem sempre alternativas bem açucaradas que acabam, muitas vezes, por substituir o almoço na cantina da escola (falo por experiência própria, que também já fui criança). Por outro lado, a ruralidade já não é desculpa para desleixos. Na maior parte das vilas, e mesmo em algumas aldeias, existem ginásios frequentados por grande parte da população, além do que os cidadãos mais jovens e mais informados no que respeita aos hábitos alimentares fazem questão de incentivar os mais velhos, no próprio seio familiar, à adopção de opções de vida mais saudáveis, quer no que respeita à alimentação, quer ao exercício físico. Estamos perante um problema de raíz. Eu acredito que grande parte das questões problemáticas da nossa sociedade assenta na educação. Na má-educação, na falta de educação e na inadequada educação que as nossas crianças muitas vezes recebem. Cabe aos pais estarem atentos, como agentes educadores preponderantes que são. Porque não é na creche ou na escola primária que as crianças aprendem a comer mal. A permissividade é uma falha educativa que pode levar a consequências graves. A obesidade carrega nas costas duas vertentes igualmente importantes de uma mesma problemática: a saúde, acima de tudo. Pela primeira vez na história, a incidência da diabetes tipo 2 (aquela que, de uma forma generalizada, tem a ver com os maus hábitos de vida) ultrapassou a da diabetes tipo 1 na primeira infância. E se pensarmos nas consequências de uma diabetes a médio e a longo prazo num adulto, imagine-se só o que pode fazer numa criança, que tem toda uma vida pela frente. Já para não falar nos problemas cardiovasculares e nas diversas formas de cancro que estão associados ao excesso de peso. No outro gume da navalha está o impacto psicológico que a obesidade tem numa criança que se vê ridicularizada, diariamente, pelos outros miúdos da escola, numa altura da vida particularmente sensível, durante a qual são aprendidos e interiorizados os factores respeitantes à socialização e ao relacionamento interpessoal. Esta aprendizagem vai-se reflectir na personalidade e comportamento futuros da criança, enquanto adulto. As consequências podem ser devastadoras, e é imprevisível saber como uma criança, sem acompanhamento psicológico, acaba por lidar com esta forma de pressão social. Dependerá da sua resiliência psicológica, ou seja, do quão espessa é a carapaça que ela consegue construir para se isolar dos impactos diários do meio social em que está inserida. Algumas crianças convertem-se em adultos retraídos, introvertidos, com dificuldades de adaptação social ou mesmo distúrbios de personalidade (e a personalidade, uma vez formada, é dificilmente moldável, e dela apenas podemos modificar, a muito custo, pequenos pormenores que não chegam, muitas vezes, para fazer a diferença). Outras, como forma de auto-protecção, convertem-se em adolescentes violentos e agressivos. Por alguma razão estão a ser realizados, actualmente, nos Estados Unidos, estudos na tentativa de encontrar um cruzamento entre o aumento da incidência de obesidade infantil e o fenómeno de bullying. E por falar nos Estados Unidos, um dado que me parece deveras curioso ... Só depois de ler estes artigos é que fiquei a saber que os obesos não são nada ecológicos. Até poderia ter graça, mas no fundo não tem graça nenhuma. Passo a explicar: se os obesos deste planeta acabassem por perder peso em excesso, agravariam o efeito de estufa devido à libertação de mais de 10 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. Isto relembra-me que os Estados Unidos recusaram aderir ao protocolo de Quioto, ainda que sejam o principal país responsável pelo efeito de estufa. Na verdade, depois de ler acerca disto,eu, que era muito crítica em relação à posição assumida pelo senhor Bush, até que passei a ser mais tolerante e compreensiva com o povo americano. Sendo o país, a nível mundial, com maior número de obesos, na verdade, de forma indirecta, até estão a contribuir para a diminuição das emissões de dióxido de carbono. Não chega ... mas já é um contributo!

domingo, 17 de agosto de 2008

Nan Goldin




Simon and Jessica in the shower , 2001
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Nan and Brian in Bed, NY, 1983

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O Cotão gosta muito do trabalho de Nan Goldin, e não é de hoje. Aprecia, principalmente, a mestria com que fotografa as várias formas de expressão sexual, sem pudores, sem preconceitos. Mais que uma sexualidade, existe uma sensualidade marcante nas fotografias de Nan Goldin. O Cotão teve já o privilégio de observar de perto alguns dos seus trabalhos. Nos meus livros sobre fotografia, não existe nenhum sobre a obra de Nan Goldin. Uma falha que deve, brevemente, ser reparada.