domingo, 19 de outubro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

Sunday blues

Como por estes dias me faltam as palavras para exprimir o que quer que seja, deixo o Senhor António Rebordão Navarro falar por mim. Porque o domingo em que escreveu este poema era, certamente, um domingo muito parecido com o meu.

.

Reservo-me o domingo para a busca
receosa e teimosa da alegria.
Meu coração devia ser alegre
como um pássaro novo,
meu coração devia ser alegre
como o vinho ou o fogo
No entanto, onde está a alegria?
onde estão as sementes da alegria?
onde vive a alegria? No entanto,
pergunto às coisas e às gentes
de domingo onde está a alegria.
Mesmo que a não encontre
destino-lhe o domingo,
este e outros domingos,
este sol e outros ventos,
este mar e outras ruas,
estas mãos e estes olhos.
Assim acho razão para não estar triste.




António Rebordão Navarro
O Dia Dentro da Noite
Poemas (1952 - 1982)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Bang head against wall






É assim que se aprende tudo na vida ...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Happy Birthday Kid Tutti


Porque à 2 semanas que ando em contagem decrescente para este dia. Porque estou farta de puxar pela cabeça a pensar no que te vou oferecer. Porque não gosto de aniversários, mas o teu é o mais importante do ano. Porque faço questão de o partilhar contigo. Porque és tão importante para mim. Happy Birthday sugar boy ...
.
Não sei se me interessei pelo rapaz

por ele se interessar por estrelas

se me interessei por estrelas por me interessar

pelo rapaz hoje quando penso no rapaz

penso em estrelas e quando penso em estrelas

penso no rapaz como me parece

que me vou ocupar com estrelas

até ao fim dos meus dias parece-me que

não vou deixar de me interessar pelo rapaz

até ao fim dos meus dias

nunca saberei se me interesso por estrelas

se me interesso por um rapaz que se interessa

por estrelas já não me lembro

se vi primeiro as estrelas

se vi primeiro o rapaz

se quando vi o rapaz vi as estrelas


.


Adília Lopes

Uma questão de química


Desmistifiquemos as ideias de romantismo, amor, romance e coisas afins. No fundo, bem lá no fundinho, nada disto existe. O mundo é governado por tudo o que nos escapa do alcance da vista, só para que nos recordemos do quão limitado o ser humano é. A realidade é crua, e é muito dura meus amigo: a culpa é das feromonas. Delas e deste sentimento irritante e mesquinho que é o medo de ficarmos e acabarmos, inevitavelmente, sós. Somos fracos, essa é que é essa. Conformemo-nos. Remar contra a maré é um esforço permanente e desgastante, reservado a um grupo limitado e restrito: o dos inconformados. Há quem acredite que é tudo uma questão de fé. Há quem, de facto, tenha fé num bando de fracos que facilmente quebra e cede a uma mistura de moléculas químicas que se andam por aí a pavonear no ar, e as quais ... cúmulo dos cúmulos ... nem conseguimos visualizar. Mas estão lá, que nestas coisas a ciência é rigorosa e mantém-nos os pés assentes na Terra. É tudo uma questão de nos auto-iludirmos e ignorarmos a sábia e ponderada atitude de São Tomé de ver para crer. Dá-se-lhe o nome de fé. E assim nasce uma coisa estranha a que costumam chamar amor.

Açúcar




Perante a crise económica vigente, foi-me hoje proposta uma alternativa viável para aplicação de eventuais fundos monetários : açúcar. Consta que investir em acúcar é altamente vantajoso. Na antecipação de uma possível crise alimentar, o açúcar é altamente calórico e garante o fornecimento de hidratos de carbono durante bastante tempo. Ninguém passa fome a comer açúcar puro. Além disso vem em monodoses individuais - os banalizados pacotinhos que cabem facilmente no bolso do casaco ou nas malas de senhora, já de si a abarrotar de coisas absolutamente fúteis e inúteis (mas essenciais à sobrevivência feminina, tal como o consumo de glicose. A falta de batom do cieiro pode assumir proporções trágicas para grande parte das mulheres). Embora não tendo o Cotão espírito capitalista particularmente apurado, o investimento numa vida mais doce afigura-se bastante profícuo. Como tal, o Cotão decidiu investir em pacotinhos de açúcar da Nicola. Porque garantem um sorriso meloso a cada chávena de café. E um potencial problema de hipertensão arterial ou diabetes a partir dos 40.

domingo, 12 de outubro de 2008

No pain, no game ...


Sempre que ocorre a mudança de estação, o meu corpo ressente-se. Fico mais cansada, irritada, durmo mal (muito mal), arrastam-se as dores de cabeça e é como se carregasse um peso extra nas costas a cada passo. É um síndrome perfeito de TPM feminino com duração de cerca de 3 semanas (à excepção da vontade descontrolada de comer chocolate). Esta mudança fez-se hoje, finalmente, sentir. Terá sido, talvez, da chuva e do tempo cinzento. Terá sido das folhas que se acumulam no vidro do carro quando estou parada nos semáforos, e que se erguem de uma assentada só aquando do arranque. O Outono chegou, hoje, para mim. O Outono é sempre a estação das grandes mudanças na minha vida. Posso afirmar, em retrospectiva, que nunca foi no Outono que os acontecimentos mais marcantes tiveram lugar, mas foi sempre nele que foram assumidas as mudanças de direcção que maior impacto e significado tiveram. O Outono é sempre a estação das decisões que realmente importam. Aquelas que mudam o rumo pré-estabelecido e percorrido linearmente ao longo de toda a inércia dos meses quentes, nos quais a vida apenas se arrasta, como que em compasso de espera para um ponto de rotura com a prévia monotonia. Durante o Inverno as ideias maturam, hibernam protegidas da intempérie para brotar com toda a força mal se vislumbre de novo a cor do céu. Mas na verdade, para mim, esse é somente o acelerar do passo num caminho que começou a ser percorrido algum tempo antes. E como em tudo na vida, o que mais custa é começar. A mim, custa-me o sono, o descanso, as dores de cabeça ... Ninguém disse que as grandes mudanças eram gratuitas. O nascer de algo novo é, muitas vezes, um processo doloroso. Os ingleses têm uma frase perfeita para descrever tudo isto: no pain, no game ... Por isso ... press start ...