quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sending out a message ...

Nina Simone : Love me or leave me

Body Combat


À espera de dias melhores (ao que parece amanhã vai começar outra vez a chover ... não que eu esteja propriamente a falar de metereologia), os senhores John Coltrane, Miles Davis, e as senhoras Ella Fitzgerald e Nina Simone andam-me a embalar a passagem lenta e penosa das horas ... O que é que se há-se fazer ? Não tarda e estou a alugar filmes de cinema mudo e tranco-me em casa com um enorme balde de pipocas, um cobertorzinho por cima dos pés por causa do frio e um gato a ronronar ao colo. Há que combater esta apatia. E há que começar já a tratar disso ... O Cotão prepara-se assim para interromper o início do período de hibernação. Que isto de se ser jovem tem muito que se lhe diga. E afinal ... há uma selva lá fora. O Cotão vai-se atirar às feras assim ao desvairio. Antes ficar ferido em combate que assistir cobardemente no lugar do espectador.

domingo, 26 de outubro de 2008

Soooooooo confused ...

Supercalifragilisticexpialidocious

Depois de umas repousantes 10 horas de sono (afinal hoje todos dormimos mais uma hora), as olheiras sem dúvida que se esbateram. É o chamado acordar com pele de bebé. Pena que é coisa que só acontece ao domingo, o dia de menor contacto social de toda a minha semana. De que é que adianta a pele de bebé se praticamente só eu é que olho para ela? Afaga o ego e já não é nada mau. Mas o sono a mais (para quem está acostumado a dormir 6 horas por noite, 10 horas é um luxo) teve um efeito secundário deveras bizarro. Ou foi disso ou então é mais um efeito da mudança da hora ... Acordei com a língua presa. Ou seja, como diz o povo por aí, ainda hoje não dei uma para a caixa. As sílabas saem-me trocadas, as palavras de dificil compreensão, e construir uma frase inteligível é tarefa árdua. Para não dizer asneira, mas vale fechar a boca e responder às intervenções a mim dirigidas com grunhidos. Passei então o dia a grunhir uns sons bizarros e animalescos. Mas surpreendentemente, apercebi-me de que nunca disse tantas vezes Três Tristes Tigres sem enrolar a língua (à pouco a contagem ia em 38 vezes seguidas e só parei porque francamente ... ao fim das primeiras 10 e da euforia inicial torna-se enfadonho) e consigo proferir palavras como anticonstitucionalíssimamente de forma exímia. Razões pelas quais tenho passado o domingo alegremente a cantar Supercalifragilisticexpialidocious como no filme Mary Poppins. Que se lixe a cardiologia. Vou mas é comprar pipocas, alugar o filme e passar a tarde no sofá de boca calada.

sábado, 25 de outubro de 2008

Soninho, soninho ...

O Cotão dormiu pouco e passou o dia mais para lá do que para cá. Para combater o peso das pálpebras, a solução encontrada foi carregar no play e colocar o volume do último álbum dos Primal Scream no máximo ... Não foi remédio santo ... mas ajudou ...

Primal Scream : Can't go back

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Summertime has come to past

A chuva do Outono trouxe os primeiros arrepios da estação. É a melancolia do final dos dias de Sol. Passei o dia a ver a chuva cair, com esta música a tocar dentro da cabeça ...

Ella Fitzgerald : Summertime

Os filmes que se vêm e a música que se ouve


Não sou uma cinéfila convicta porque não tenho tempo. É lamentável, mas ver um bom filme é um luxo do qual a minha agenda não me permite o deleite diário. É o tempo de ir até ao clube de vídeo, encontrar lugar para estacionar, pagar 20 cêntimos no parquímetro, subir vários lances de escadas (sim, porque eu só uso o elevador como meio de deslocação em último recurso), alugar o filme, descer as escadas (para baixo consta que todos os santos ajudam), fazer o caminho até casa e sentar-me 2 a 3 horas em frente ao ecrã a tirar finalmente partido da ansiada película. E depois repetir tudo para a devolver no dia seguinte, que é para não correr o risco de pagar multa. Por isso é que sempre me rendi muito mais facilmente à música que ao cinema ... a música é uma forma de arte muito mais imediata, que pouco exige de nós ... podemos sempre por o cd a tocar enquanto fazemos a Salada Russa, e, no caso de se ser mulher (logo, de se ser exímia na realização de multitarefas), podemos ainda em simultâneo telefonar ao Veterinário a marcar a castração do bichano, passar creme corporal nas flexuras dos membros locomotores e coçar o dedo mindinho do pé esquerdo, tudo em simultâneo. Ou então passar uma tarde em alegre périplo pelas lojas de electrodomésticos, a comparar preços de fritadeiras e máquinas de lavar roupa, enquanto o António Variações nos berra aos ouvidos "Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga" no Ipod ou Leitor de mp3. Claro que apreciar verdadeiramente a boa música exige paixão, tempo e dedicação, mas, de uma forma geral, a música é uma forma de arte quase gratuita. O cinema não. É muito mais exigente para com o espectador, exige-lhe fidelidade, devoção, atenção, com risco de se perder o fio à meada para não mais o encontrar ... a não ser que se carregue no botão do rewind, e lá está a paga pela asneira ... mais tempo perdido a voltar atrás. Esta é a razão pela qual o cinema, apesar de responder no masculino "O" é, de certezinha, mulher. Quem a quiser perceber tem que apanhar a história do início senão acaba por não perceber nada. Daí o velho cliché "Não percebo as mulheres". Pura falta de atenção. E este é um factos pessoalmente por mim comprovado: os poucos cinéfilos acérrimos que conheço são, realmente, entidades providas de uma grande sensibilidade estética, diria quase feminina. Atenção, ninguém está aqui a dizer que os apreciadores de bom cinema são gays. Só quem tem uma mente pequena é que confunde sensibilidade com escolha sexual. Mas isso é outra história sobre a qual não me quero alongar (no Dia Mundial da Liberdade de escolha sexual, se tal coisa existir, eu falo disso ... agora não). Bem, e com isto me perdi (lá se foi o fio e agora onde e que está o raio da meada?). Dizia eu que não tenho grande tempo para essas coisas dos filmes. Alugar é, indubitavelmente, a melhor opção hoje em dia. O cinema fora de casa está caro, nada se compara ao conforto do sofá da nossa sala, não temos que aturar com os barulhos de sucção da coca-cola do senhor gorducho da fila de trás nem com os borburinhos estranhos que vêm do fundo da sala quando o volume sonoro diminui, e, além disso, o peso na consciência nunca é tão grande porque as nossas pipocas caseiras têm sempre muito menos gordura, corantes e conservantes que as dos cinemas. Mas a principal razão pela qual raramente lá me apanham é a seguinte: em Coimbra nunca estreiam filmes de jeito (à excepção dos esporádicos ciclos de cinema no TAGV). É coisa rara haver um filme que me desperte a atenção e me leve a deslocar a um dos dois centros comerciais desta cidade (sim, porque os 2 cinemas que existem estão incorporados nos chamados templos do consumismo). Ora, muito contentinho o Cotão se encontra por o novo filme dos irmãos Cohen ter estreado no seio desta pequena grande aldeia. E tão contentinho ficou que decidiu que esta era uma oportunidade a não deixar escapar. É provável que o próximo filme de jeito a cá passar só o faça no final do próximo mandato presidencial. Muitos meses depois de Sweeney Todd do seu adorado Tim Burton (eu, que não gosto nada de musicais, dei-lhe o benefício da dúvida para acabar por descobrir que o meu problema está mesmo no musical em si e não no resto), o Cotão volta às salas de cinema. Que isto um dia não são dias ...