domingo, 8 de novembro de 2009

Sempre os domingos




Domingo de chuva. Eu, atacadíssima por um estranho Sindrome gripal. O nariz entupidíssimo e os lenços de papel usados amontoados a um canto. Chá de cidreira com mel. O livros abertos e a falta de vontade. Os poemas do Vasgo Gato " segreda-me a canção dos dias, sem que nos oiça a noite terrível, e deixa que dance em mim a voz, a voz azul que é o lugar onde o mundo não pára de nascer". Voltei a ouvir os discos da adolescência. E pronto ... choradeira pegada. Breath in, breath out ... slooooooowly ...

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Fotografia de Teresa Sá

sábado, 7 de novembro de 2009

Message in a bottle 07.11.09 - Começou a chuva


Para condizer comigo.

Lost in translation


Ultimamente a minha vida é repleta de encontros furtuitos das mais variadas naturezas. Boas e más. Encontrei hà poucos dias alguém que me fora, em tempos, muito próxima. Entre cumprimentos, abraços, beijos e risinhos, iniciámos uma breve conversa pautada por algum saudosismo e muita gesticulação manual à mistura. Eu quando fico nervosa não páro quieta. Lembrei-me da justa intimidade que nos mantinha unidas e de todos os pontos em comum que nos fluidificavam a comunicação. Mantivémos, a custo, a chamada conversa de surdos. Ela a falar em alhos, eu a responder em bugalhos. Frases em paralelo, sem desvios de trajectória, sem se entrecruzarem. Uma angústia triste após a despedida. As pessoas mudam. E eu encontro-me, no meio da evolução natural do Homem, assim ... Lost in translation.

domingo, 1 de novembro de 2009

Fascínio


Aqui à uns meses descobri a escrita do Valter Hugo Mãe. Devorei todos os 3 livros em prosa até agora publicados. Falta-me descobrir a vertente poética, patente em 2 livros que ainda não consegui encontrar na livraria. Há algum tempo que a escrita de um autor não me fascinava desta forma. Aconselho vivamente.

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Easy Sunday

Alheia à associação feita nesta época aos assuntos dos defuntos e afins, tenho a afirmar a minha absoluta falta de superstição nas matérias que escapam ao escrutínio das ciências. E assim, como mulher crente nessas mesmas ciências (é, no fundo, uma forma de fé como outra qualquer), mas não perdendo a minha característica sensibilidade feminina (quem disse que são incompatíveis?), gosto muito, nesta altura do ano, de encher a minha casa de crisântemos. E de acender velas, ouvir Kings of Convenience e cozinhar biscoitos para os amigos que já não vejo faz muito tempo. Tudo isto em simultâneo, enquanto lá fora o tempo faz cara feia. Eu cá não amoleço facilmente com fitas.

Esta casa cheira a broa, aqui mora gente boa ...


No meu bairro retomou-se, este ano, a tradição dos bolinhos e bolinhós, o que muito me deixa satisfeita porque eu adoro ter a pequenada à porta. Deve ter qualquer coisa a ver com a Síndrome do filho único, mas não resisto a um aglomerado de petizes. Tão modestos e adoráveis eles são que até respondem “É o que a senhora quiser dar”. Perguntei se preferiam dinheiro ou doces. À pronta resposta levaram com todo o chocolate e rebuçados aos quais eu tento, ridiculamente, resistir, numa base diária. Bem se vê que não actuam sob coacção parental, e muito menos que pouca noção têm de que anda para aí uma crise. Eu até percebo … a crise foi completamente esmagada desde que se começou a falar na tal gripe que por aí anda a alastrar. Então às crianças, ainda mais ao lado deve passar. É a maravilhosa inocência infantil. Don’t know and don’t care. Eles é mais bolos …

More than words ...






Fazer a diferença, ainda que mínima, na vida de alguém, é, descubro-o eu todos os dias, uma coisa bestial.


Bem me dizia o Senhor Augusto, pedindo-me humildes desculpas pela sua falta de instrução e de habilidade para dar uso a “palavras caras”, que, da precocidade da minha terna idade, ainda muito caminho tenho que pisar para aprender que, na maioria das vezes, as palavras têm uma acção mais terapêutica que o próprio medicamento.